A sigla ONU, toda a gente o sabe, significa Organização das Nações Unidas, isto é, à luz da realidade, nada ou muito pouco. Que o digam os palestinos de Gaza a quem se lhes estão esgotando os alimentos, ou que se esgotaram já, porque assim o impôs o bloqueio israelita, decidido, pelos vistos, a condenar à fome as 750 mil pessoas ali registadas como refugiados. Nem pão têm já, a farinha acabou, e o azeite, as lentilhas e o açúcar vão pelo mesmo caminho. Desde o dia 9 de Dezembro os camiões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelita lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas? Contando com a cumplicidade ou a covardia internacional, Israel ri-se de recomendações, decisões e protestos, faz o que entende, quando o entende e como o entende. Vai ao ponto de impedir a entrada de livros e instrumentos musicais como se se tratasse de produtos que iriam pôr em risco a segurança de Israel. Se o ridículo matasse não restaria de pé um único político ou um único soldado israelita, esses especialistas em crueldade, esses doutorados em desprezo que olham o mundo do alto da insolência que é a base da sua educação. Compreendemos melhor o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores. Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente actualizado.segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
GAZA
A sigla ONU, toda a gente o sabe, significa Organização das Nações Unidas, isto é, à luz da realidade, nada ou muito pouco. Que o digam os palestinos de Gaza a quem se lhes estão esgotando os alimentos, ou que se esgotaram já, porque assim o impôs o bloqueio israelita, decidido, pelos vistos, a condenar à fome as 750 mil pessoas ali registadas como refugiados. Nem pão têm já, a farinha acabou, e o azeite, as lentilhas e o açúcar vão pelo mesmo caminho. Desde o dia 9 de Dezembro os camiões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelita lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas? Contando com a cumplicidade ou a covardia internacional, Israel ri-se de recomendações, decisões e protestos, faz o que entende, quando o entende e como o entende. Vai ao ponto de impedir a entrada de livros e instrumentos musicais como se se tratasse de produtos que iriam pôr em risco a segurança de Israel. Se o ridículo matasse não restaria de pé um único político ou um único soldado israelita, esses especialistas em crueldade, esses doutorados em desprezo que olham o mundo do alto da insolência que é a base da sua educação. Compreendemos melhor o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores. Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente actualizado.sábado, 3 de janeiro de 2009
ALEGRETE
Enquanto Israel promove abertamente o terrorismo de estado, do qual a ONU e a Comunidade Internacional são cúmplices, Alegrete se manifesta.Um dos vários bustos do diplomata que existe na cidade amanheceu com um saco manchado de vermelho na cabeça. O Vermelho que representa o sangue palestino derramando em anos de guerra escorreu sobre as inscrições: "OSVALDO ARANHA, CRIADOR DE UMA GUERRA" e "PALESTINA LIVRE".
Como era de se esperar, o ato foi classificado como vandalismo pela mídia local que, atuando de acordo com os interesses da elite da cidade, sempre se empenhou em escamotear todas as manifestações de cunho político que surgem na cidade.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
ANO NOVO, NOVAS LUTAS.
A crise do sistema financeiro internacional ainda não atingiu o seu ápice. Essa é a avaliação dos principais analistas de esquerda em todo mundo.No entanto, as primeiras consequencia da tal "marolinha", como definiu o presidente Lula, já dão sinais da gravidade dessa crise e o que virá nesse ano.Somente nos estados Unidos, já são de 11 milhões de desempregados atualmente. A previsão é de 25 milhões de desempregados em todo o mundo no próximo ano.
No Brasil, o cenário não é diferente: demissões, férias coletivas em montadoras, queda da produção industrial, diminuição da capacidade produtiva, queda dos empregos formais em dezembro, diminuição do consumo, etc.
A crise também tem revelado uma profunda e cínica sinceridade por parte dos capitalistas. Vide as declarações de Roger Agnelli, testa-de-ferro do capital financeiro na Vale - Ex-estatal Companhia Vale do Rio Doce - exigindo flexibilização dos direitos trabalhistas. ou os desesperados pedidos de recursos públicos justamente pelos setores que mais especulam e absorvem dinheiro público nos últimos anos: as montadoras e o agronegócio.
É verdade que o estado pode ser o fiel da balança dessa crise. Poderia adotar medidas como redução da jornada de trabalho, o estímulo ao mercado interno, a regulamentação do mercado financeiro e a construção de uma saída integrada com os países sul-americanos através da Alternativa Bolivariana para as Américas, como propõe a carta dos Movimentos Sociais, entregue há duas semanas.
No entanto, infelizmente, o governo Lula, parece mais disposto a salvar mais uma vez os bancos, especuladores e transnacionais. O pacote de medidas do governo anunciado há poucos dias dá um pequeno fôlego a classe média e permite que as montadoras posam enviar mais lucros para suas matrizes falidas no exterior. Mas não consegue - ou não pretende - atingir os problemas estruturais dessa crise. Mais preocupados com o projeto "Dilma 2010", o governo parece querer salvar primeiro os habituais financiadores de campanha do que os trabalhadores.
Segundo a própria Agência Brasil, da estatal EBC, o governo federal já injetou R$ 360 bilhões para conter a "marolinha", e a maior parte desses investimentos foi para o setor financeiro, R$ 98 bilhões, para que os bancos disponibilizassem créditos. Neste caso os recursos não foram transformados em créditos, mas replicados pelos próprios bancos na compra de títulos do governo. Ou seja, voltaram para o carrossel financeiro sem gerar empregos nem créditos.
Porém, o governo e os empresários não são os únicos atores. Para a classe trabalhadora, a crise pode ser um importante para fazer lutas. Ou seja Representar uma saída para o descenso de massas que assola o país nos últimos anos.
As manifestações de petroleiros e movimentos sociais contra os leilões de petróleo na última semana podem ser indícios de que, finalmente, entraremos em um novo período de mobilizações. Nesse sentido, é fundamenta a unidade de esquerda para enfrentar a crise e defender os direitos da classe trabalhadora. Assim, vemos com bons olhos a decisão das centrais sindicais de realizarem em janeiro, mobilizações conjuntas para defender os empregos de metalúricos. Essas iniciativas são sinais de que as lutas virão, e com elas as conquistas.
A derrocada dos projetos de monocultivo de celulose no sul do pais, dando lugar à expansão dos assentamentos naquela região, representados na conquista da fazenda Southall, nesse mês, são sinais de que, fazendo luta, as vitórias são possíveis.O fato é que os cenários para a crise ainda estão em aberto. Se a Classe trabalhadora demostrar unidade, clareza nos seus alvos, capacidade de organização e força de mobilização, estimulando as lutas sociasis, poderemos ter uma saída pelo projeto da classe trabalhadora.Se resolver apenas em antecipar o calendário ekleitoral, seremos derrotados de antemão. E, se permanecermos passivos, já conhecemos a saída do capital,:mais exploração, menos emprego, menos direitos. Portanto, tod@s à luta em 2009.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
MEU MUNDO
- Vocês deviam ser como nós! Vamos lá! Vamos transformar o mundo em uma ditadura sem limites. Acabamos de lançar o Centro Cultural Universal, investimento de 10 bilhões de dólares, aço escovado e vidro, teto removível, 6 bilhões de livros. Mas as reportagens políticas são retiradas.
- Não sei não... Aqui também é assim... Viu o caso do cartunista demitido por falar mal dos Bancos?
- E nada de “poluição espiritual”. Erotismo e gente falando mal do passado são proibidos.
- Isso é estratégia antiga, custa caro. Deixe-os muito ocupados para sobreviver e estarão muito cansados para tentar entender. Tire deles qualquer ordem maior capaz de investir no bem comum, de modo que subir a escada seja tarefa de cada um. Da favela para a universidade.
- Isso vende bem, é “moral”, ética do trabalho... E vocês, no fundo, controlam também a informação, não? Digo, há empresas gigantes, diversificadas, que mandam em estados inteiros, não?
- Se fizeres bons acordos com super-poderes de informação, de modo que os conceitos, a linguagem, a cultura desapareça, e nada faça sentido, até que percam sua identidade e regridam até a animalidade, depressão e violência...
- É prático, até. Esse negócio de ter de abrir livros da Amazon, perseguir escritores piratas, cansa... Adoro como vocês criam uma identidade obcecada, o desejo, incentivam a frustração, o prazer individualista, até a solidariedade virar uma piada. A atriz famosa só pensa em cinzeiros de prata, carros importados, viagens e drogas e o cara da favela só pensa em ser a atriz famosa.
- Sim, claro... A violência se espalha no mundo abandonado. Deixe 25 anos Nova Orleans sem investimento e a própria natureza se encarrega de acabar com a pobreza...
- E a classe média?
- Estarão endividados para comprar celular, roupas caras e pagar academias... O belo deve ser oferecido num contexto de a-pensamento. Quem dá a arte é quem dá a verdade. Mas, enquanto isso, deve retirar todas as limitações legais contra o poder das corporações, de modo a que se você poluir um rio, não tenha que pagar por isso...
- É, dá inveja desse mundo de vocês. Bem, vamos continuar nossa discussão no hotel. O Poder Global está todo lá.
domingo, 21 de dezembro de 2008
CARTA DO I ENCONTRO NACIONAL DAS MULHERES DA CONSULTA POPULAR
Mulher:
Se te ensinaram a ter uma voz macia,
A amar com paixão A cuidar com carinho
- Isso não precisa ser um problema
Mas se sua voz se cala diante de outra mais forte
Se o amor vira submissão
E se o cuidado impede a luta
- Nem que seja por um momento
Pode ser necessário gritar,
Odiar
E criticar com firmeza:
Por amor
Lira Alli
A sociedade patriarcal capitalista desenvolve múltiplas desigualdades. Este sistema inaugura uma divisão entre público e privado e, extensivamente a esta, uma divisão entre produção e reprodução social. Desta forma, a divisão sexual do trabalho estabelece que a responsabilidade pela reprodução social é das mulheres no trabalho doméstico. O que garante, gratuitamente ao capital, a reprodução da força de trabalho, sendo, portanto, condição material da exploração e dominação que sofremos.
No trabalho fora de casa, geralmente em atividades extensiva as domésticas, também favorecemos a acumulação capitalista ao ocuparmos tarefas mais precarizadas, sem direitos trabalhistas com os menores rendimentos. Além disso, a dupla jornada de trabalho dificulta nossa organização política devido ao restrito tempo livre.
Somos responsáveis por 60% da economia mundial apesar da invisibilidade do trabalho doméstico e contraditoriamente 70% dos pobres do mundo. Estes dados demonstram como o capitalismo se apropria e aprofunda a desigualdade que marca a história das mulheres desde a origem da propriedade privada.
Com isto podemos afirmar que a classe trabalhadora não é homogênea. Analisar as particularidades do sujeito revolucionário e as formas ofensivas de exploração que este sofre pelo capital exige percebermos que a classe trabalhadora tem dois sexos. Ignorar esta realidade é fragmentar nossa condição de sujeito favorecendo portanto, este sistema. Nesta perspectiva, explicitarmos as desigualdades não divide a classe, ao contrário, possibilita-nos uma leitura de totalidade que potencializa a nossa luta pela emancipação.
Neste sentido, o encontro do nosso partido com o feminismo é necessário e urgente, pois o feminismo ao confrontar a propriedade privada e toda a ideologia que a sustenta se coloca como perspectiva estratégica para um instrumento revolucionário. Cabe neste momento, lembrarmos de experiências revolucionárias que por não perceber este caráter da luta feminista reproduziram em seu interior a ideologia e os mecanismos de opressão e desigualdade, entre homens e mulheres, na divisão sexual e política das tarefas revolucionárias.
A luta feminista não é isolada, é parte da luta de classes. Numa perspectiva dialética de totalidade, como nos ensina o método de Marx, o feminismo deve compor uma unidade com a luta classista. Afinal a emancipação das mulheres e dos homens impõe uma ruptura com o sistema capitalista, não apenas na base material da produção mas também, no campo dos valores, do modo de vida e da cultura.
Assim, compreendemos que não podemos construir nossa luta por liberdade e igualdade numa perspectiva etapista. Uma vez que o patriarcado, como sistema de dominação e exploração das mulheres, é anterior ao capitalismo e milenar está encarnado no tecido social. Destruí-lo é uma tarefa diária de todas as pessoas revolucionárias que devem, desde já, alimentar novos valores, pautados na igualdade, na solidariedade e na liberdade. Queremos uma revolução por inteiro, libertando mulheres e homens de todas as opressões!
Foi nesta perspectiva que as mulheres da Consulta Popular, representando 13 estados do Brasil, reunidas em seu I Encontro Nacional, na Escola Nacional Florestan Fernandes, firmaram seu compromisso de fortalecimento do nosso partido, com a construção do setor de mulheres. Vimos por meio desta carta, convidar a todas as mulheres e homens do nosso instrumento a compartilharmos ombro a ombro o desafio de imprimirmos uma perspectiva feminista ao caráter proletário, socialista e internacionalista de nossa revolução.
Para tanto, a auto-organização das mulheres do nosso instrumento, orientada pela luta de classe é uma tarefa política imprescindível. Cabendo ao conjunto da organização fortalecer esta luta, preenchendo com o lilás libertário os nossos corações vermelhos.









