quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
Tarefas da Juventude Popular para o próximo período
O caminho da luta não é fácil. Até hoje o povo não conseguiu construir e colocar em prática o seu próprio projeto de nação. As elites sabem muito bem o que querem de nós, e fazem de tudo para seguirmos o caminho da conciliação, pois aí elas têm vantagens e conseguem desviar o povo do seu objetivo.
Alguns lutadores chegaram a acreditar nesse caminho. Mas, depois de tantos anos, a terra, a moradia, a informação, as riquezas e o poder, no Brasil, estão nas mãos de povo? Podemos esperar que os nossos representantes façam aquilo que é nosso dever fazer?
Para concretizar o nosso acampamento também tivemos que superar obstáculos. Tivemos que nos formar militantes, fazer trabalho de base, agit-prop, conhecer os problemas da juventude e constituir a unidade dos jovens lutadores do meio popular. Isso exigiu paciência e convicção.
Em julho do ano passado, o Acampamento foi cancelado. As “autoridades” nos disseram que era perigoso juntar centenas de pessoas, pois a gripe suína podia se espalhar no meio de tanta gente. Na verdade, sabemos que o medo deles era outro. O que poderia se espalhar é a esperança e a rebeldia da juventude. Foi o que aconteceu no final de semana passado, na cidade de Santa Maria.
Após 4 anos de trabalho de base e 14 pré-encontros realizados em todas as regiões do estado, mais de 400 jovens dos movimentos sociais reunidos em Assembléia definiram seus principais desafios para 2010:
1) Fazer uma grande luta em todo o estado, ainda no primeiro semestre do ano, com as pautas da juventude.
2) Trabalhar com os eixos que mais mobilizam a juventude hoje: Educação, trabalho, cultura e contracultura, luta antimperialista e crise ambiental.
3) Fortalecer a rebeldia da juventude, centrado na luta de massas, na Agitação e Propaganda e na Contracultura.
4) Multiplicar o trabalho com a juventude em cada região do estado, priorizando as periferias urbanas e os movimentos sociais da Via Campesina.
5) Formar os jovens militantes para compreender a sua realidade local, a realidade brasileira, e construir o Projeto Popular nos seus espaços de atuação.
6) Organizar e fortalecer a Assembléia Estadual da Juventude. Para isso, os jovens reunidos no Acampamento definiram os seus coordenadores regionais que irão integrar a Coordenação da Juventude do Projeto Popular, integrando os lutadores dos movimentos sociais rurais e urbanos. Os coordenadores regionais são responsáveis por fortalecer a militância em cada região, desenvolver atividades de formação e agit-prop, desenvolver os eixos de mobilização e multiplicar os jovens lutadores dentro e fora dos movimentos.
Nesse processo aprendemos muito.
Aprendemos que só a luta popular e de massas pode transformar o Brasil.
Aprendemos que a liberdade não pode ser concedida pelos outros, só pode ser conquistada por nós mesmos.
Aprendemos que só um projeto popular pode vencer o projeto das elites.
Juventude que ousa lutar, constrói um Brasil Popular!
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
"SOMOS A JUVENTUDE DO PROJETO POPULAR"
Com muita mística, animação e unidade, jovens dão novos passos rumo ao Projeto Popular para o Brasil
O Acampamento da Juventude Campo e Cidade foi marcado pela vivência coletiva, animação, organização e mística, por compartilhamos um projeto comum de transformação da sociedade.Na tarde, a gurizada se preparou para a luta unificada da juventude que ocorrerá ainda esse ano, com 16 oficinas práticas onde aprendemos técnicas de agitação e propaganda, como bateria, muralismo, stêncil, tochas, capoeira, teatro, malabares, etc. Ali percebemos, mais uma vez, que a rebeldia da juventude se expressa com alegria, tintas coloridas, tambores, música e cantos de luta.
À noite, vivenciamos um momento muito especial: a Jornada Socialista, que foi a grande mística do encontro ao tratar do Projeto Popular para o Brasil. Nesse momento de reflexão percebemos que a história do povo brasileiro é marcada pela injustiça, mas também é marcada pela luta contra a exploração e pela solidariedade dos trabalhadores. "A ordem é ninguém passar fome! Progresso é o povo feliz" foi um dos versos cantados pela juventude na construção do um Projeto Popular.
1) Revelar os conflitos de classe existentes na sociedade;
2) Acumular força social e política, multiplicando, organizando e formando novos militantes;
3) Construir o Projeto Popular nos espaços em que atuamos.
O Acampamento foi o primeiro passo para a formação da Assembléia da Juventude no nosso estado, sendo um momento histórico da organização popular. Neste ano teremos novos encontros, grandes lutas e espaços de formação tirados em conjunto no acampamento.
E que venha 2010!
sábado, 23 de janeiro de 2010
Gurizada do campo e cidade inicia acampamento com batucada, cantoria e debate político!
No primeiro momento de discussão, as dificuldades mais abordadas foram acesso à escola, êxodo rural, exclusão digital e falta de estrutura na saúde. Já a juventude da cidade falou de preconceito e criminalização da pobreza. A luta contra o consumismo e a precariedade da educação são bandeiras comuns entre toda a juventude. Ainda ontem, os participantes do acampamento contaram com a apresentação de uma mística sobre opressões raciais, de gênero e de trabalho.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
A história verdadeira e justa
O lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) parecia um evento governamental comum. Naquele 21 de dezembro de 2009, o ministro Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, discursou e lembrou dos tempos da ditadura militar. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se emocionou ao deparar-se com companheiros do combate à ditadura, que compunham o plenário. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saudou os participantes, deixou de lado o script e improvisou um discurso, arrancando risos e aplausos da plateia.
Para a grande imprensa, o evento não parecia ter qualquer importância. A não ser por um fato: a presidenciável Dilma Rousseff aparecera sem peruca, pela primeira vez desde o início de seu tratamento contra um linfoma.
No dia seguinte, o jornal de maior circulação nacional, a Folha de S. Paulo, por exemplo, destacou o novo visual da ministra, mas não apresentou uma linha sequer sobre o conteúdo do plano. Duas semanas depois, entretanto, o plano, que fora “ofuscado” pelo cabelo curto de Dilma, tornou-se o principal assunto dos noticiários, com uma série de distorções e uma guerra de desinformação.
Outro fator que causa estranheza é o PSDB engrossar o coro contra o PNDH3, sendo que este se assemelha, em muitos aspectos, aos planos elaborados na gestão tucana (o primeiro em 1996 e o segundo em 2002). Por outro lado, o plano tem tido respaldo de diversas entidades da sociedade civil, como a OAB e a CUT.
Reação precipitada
Por entender os direitos humanos como um conjunto de garantias – desde o acesso à comunicação até a integridade física –, o PNDH3 conta com diversos temas. Tal como o documento, a reação também foi transversal: Forças Armadas, Igreja, ruralistas, associações patronais da imprensa e a ala mais conservadora do governo vociferaram contra a medida.
A crítica que tem tido mais atenção é a dos militares. As Forças Armadas e o ministro da Defesa Nelson Jobim condenaram a criação da Comissão Nacional da Verdade, alegando que ela visa punir os militares na ditadura, sem investigar as ações da esquerda armada no período. “Esse argumento [de que a esquerda não será punida] demonstra absoluta ignorância da Lei de Anistia. Na verdade, todos os opositores que pegaram em armas, com raras exceções, foram presos, mortos e torturados. E grande parte de seus cadáveres estão desaparecidos. Aqueles que mataram, torturaram e estupraram em nome do governo não cometeram atos violentos? O sequestro e a tortura são ou não são um terrorismo de Estado?”, questiona o jurista Fábio Konder Comparato.
Para o diretor do Fórum dos ex-presos políticos, Maurice Politi, a reação dos militares foi precipitada, já que a constituição da Comissão Nacional da Verdade ainda depende da redação de um projeto interministerial, que necessita ser enviado ao Legislativo e aprovado.
“A imprensa e os militares fizeram um grande 'auê'. Se anteciparam sem ter lido o plano. Disseram que estavam querendo revogar a Lei de Anistia, sendo que isso não foi proposto. A grande imprensa cumpre um papel de desinformação. Quem tem culpa no cartório assume a culpa, mesmo que a culpa ainda não tenha sido revelada”, analisa.
Plínio Arruda Sampaio, ex-deputado constituinte e hoje membro do Psol, ironiza o debate em torno de eventuais punições aos militantes anti-ditadura. “Tem que se fazer um esforço tremendo para julgá-los, pois terão que ressuscitá-los, pois a maioria está morta. As maiores vítimas desse processo foram os combatentes contrários à ditadura, que foram massacrados numa guerra desigual. Me espanta que o Jobim defenda isso [julgamento de guerrilheiros]”, diz.
Transversalidade
Além dos militares, a Igreja Católica protestou contra o item que trata o aborto como uma questão de saúde pública. As associações patronais da imprensa também atacam a medida, que prevê uma comissão de acompanhamento editorial que visa denunciar eventuais desrespeitos aos direitos humanos por parte da mídia. Já os ruralistas chamaram de “fim da propriedade privada no campo” um item que prevê a mera mediação de conflitos fundiários.
Justamente por esses ataques simultâneos, Plinio Arruda Sampaio afirma que o lançamento do programa foi um erro de cálculo político do governo, apesar de concordar com todos os itens do PNDH3. “O fato de conter muitas coisas em um programa só, no ponto de vista da tática, foi falho. Em vez de batalhas sucessivas, o governo vai ter que travar batalhas simultâneas, e pode começar a recuar por não ter tanta força. Assim, a essência do programa pode ser afetada”, opina Plinio.
A reportagem é de Renato Godoy de Toledo com a colaboração de Aline Scarso, da Radioagência NP.
Visite aqui o sítio do Brasil de Fato e aqui o da Rádioagência NP









