Somos um grupo de jovens que não baixam a cabeça para as injustiças e desigualdades. Entendemos que só com o povo unido, metendo a mão junto, é possível construir o novo mundo com que sonhamos.
O Levante atua junto aos movimentos da Via Campesina e movimentos urbanos como o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), com a intenção de construir a organização popular em comunidades, vilas, escolas, assentamentos e acampamentos do Rio Grande do Sul.
A POESIA QUE ALIMENTA NOSSA LUTA
Cristina Nascimento
Vivemos numa mentira contada e repassada por nós mesmos Pelos nossos pais, avós, de geração em geração, até chegar aos nossos filhos. O que seria a verdadeira história do nosso querido Brasil. Quem descobriu o Brasil? O branco, o negro ou o índio. Até quando vamos aceitar os fatos históricos que nos contam O que seria a verdade para um Brasil tão rico e tão pobre ao mesmo tempo Deixamos que eles se apropriem de nossas almas e nossa indignação Do que valeu a morte de tantos negros e índios se já não lutamos mais... Sendo assim questionaremos a história contada e iremos atrás da verdadeira Não vamos mais deixar eles se apropriarem de nossas vidas. Estudaremos! Pensaremos com calma e a nossa maior motivação será mudar este futuro Onde crianças passam fome, onde não se tem uma visão de uma vida melhor. Até quando iremos aguentar viver só para comprar comida e se acomodar desta maneira Somos nós que sofremos na pele o racismo, a exclusão, a exploração. Então a história tem que ser contada de forma correta, pois cansamos do sistema falar por nós Por que estamos lutando e o nosso povo irá se libertar.
Vídeo feito em homenagem aos 25 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra a partir da Marcha Estadual “Maria Cícera Neves”, agosto de 2009. O filme apresenta depoimentos de parceiros e parceiras do movimento, imagens de momentos históricos de sua trajetória e também desta última marcha. Além disso, ele se propõe a refletir sobre a relação do MST com as questões urbanas.
MST e a atualização dos ídices de produtividade...
"A nossa classe dominante é muito conservadora, não tem visão social e só pensa no próprio umbigo" - diz líder dos sem-terra
Reproduzimos aqui a íntegra da entrevista concedida por João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, ao jornal O Estado de S.Paulo sobre a atualização dos índices de produtividade. Trechos desta entrevista estão na matéria intitulada ''Produzir mais, às vezes, é ter mais prejuízo'', publicada pelo jornal da família Mesquita, em 30/08/2009.
Quais argumentos do MST podem ter pesado na decisão do governo de atualizar, agora, os índices de produtividade rural?
Apenas solicitamos ao governo que cumpra a lei, que determina que os índices sejam atualizados. Atualmente, Incra usa dados defasados do IBGE de 1975 como parâmetros para as desapropriações. Portanto, basta o governo cumprir a lei.
Isso é realmente importante? O que a sociedade brasileira ganha com essa revisão?
A Constituição Federal estabeleceu que a propriedade da terra é um bem da natureza, que a rigor pertence a todos os brasileiros. Por isso, está condicionada pela sociedade a cumprir uma função social. Se o uso dessa terra não cumpre a função social - em benefício nao só do seu proprietário, mas de toda a sociedade - deve ser desapropriada pelo Estado. Uma das condições para cumprir a função social é produzir pelo menos dentro da média do que se entrega para a sociedade em cada região. A sociedade vai ser beneficiada porque a atualização vai obrigar os latifundiários atrasados a aumentar a produção ou entregar as suas terras para o governo.
Na visão dos ruralistas, os conflitos no campo vão aumentar. O movimento pretende ocupar as propriedades consideradas improdutivas?
A atualização dos índices vai dar mais agilidade e condições para o governo cumprir a lei e desapropriar as fazendas que são improdutivas, mas que se escondem atrás dos números de 1975. Mesmo assim, serão usados dados de 1996 para a atualização, ou seja, ainda dez anos atrasados. Os ruralistas que têm medo da atualização não produzem e usam as terras para especulação ou reserva de valor. Aqueles que estiverem produzindo, nada precisam temer. Se o governo aumentar as desapropriações e a Reforma Agrária, é evidente que vai diminuir a pobreza e a desiguladade no campo e, com isso, diminuem os conflitos. Não fazer a Reforma Agrária aumenta os conflitos, por que não representa solução nenhuma. Qual é a solução que os ruralistas apresentam para os pobres do campo? Apenas mudarem para as cidades e engrossar as favelas. Ou seja, transferem os problemas sociais para as cidades, que passam por uma situação explosiva de violência e precariedade de trabalho e moradia.
Produtores rurais disseram que os mesmos índices de produtividade deveriam ser aplicados nos assentamentos, sob o argumento de que na pequena propriedade rural é mais fácil produzir com eficiência. Como o MST vê a produção dos assentados?
Ótimo. É isso mesmo que queremos: que a sociedade compare a produtividade por hectare de um assentamento e da agricultura familiar, com as fazendas acima de 2000 hectares. Quantas pessoas trabalham por hectares em cada área? Quanto rende a produçao por hectares? Quantas vacas de leite têm por hectares em cada área? Inclusive, que se compare os 97 bilhões de reais que o governo dá de credito para as grandes propriedades, com os 500 milhões de crédito que os assentados recebem no Pronaf. Como moram os assentados e como moram os fazendeiros? Quanto a Caixa Econômica concede de crédito para um fazendeiro comprar seu apartamento na cidade, enquanto uma família assentada recebe 10 mil reais para construir uma casa no campo? A sociedade pode comparar também a qualidade dos alimentos produzidos na agricultura familiar com a quantidade de venenos aplicados por hectare nas grandes propriedades - em especial na cana, na soja, no milho - que concentram os 713 milhões de toneladas de agrotóxicos, que depois vão para o estômago dos consumidores. Desafiamos também os ruralistas a contratarem uma auditoria de especialistas e comparar qualquer fazenda antes e depois de ser desapropriada e destinada para a Reforma Agrária, medindo quanto se produzia e o número de pessoas beneficiadas antes e agora.
Qual o peso do quesito improdutividade na arrecadação de terras para a reforma agrária?
O peso é muito pequeno, porque a lei determina que governo desaproprie todas as fazendas que não cumprem a função social. Não há função social nas fazendas que têm trabalho escravo, desrespeitam o ambiente ou são utilizadas pelo narcotráfico. Só no Mato Grosso do Sul mais de 30 mil hectares estão parados na justiça, por uso do tráfico de drogas, que deveriam ser destinados aos trabalhadores sem-terra. Mais de 350 fazendas foram desapropriadas, mas estão paradas no Poder Judiciário, influenciado por juízes coniventes com o latifúndio. Os ruralistas estão querendo fazer uma batalha ideológica na defesa ao direito absoluto da propriedade, que não existe na nossa Constituição. Por essa razão, até hoje barram na Câmara a lei que que determina a desapropriação de fazendas com trabalho escravo. Ou seja, para defender o direito de propriedade são coniventes até com o trabalho escravo. A Polícia Federal já encontrou mais de 300 fazendas com trabalho escravo. O Brasil tem muita terra disponível para ser desapropriada (e os proprietários ainda recebem indenização) e depois distribuídas para serem trabalhadas. No entanto, a classe dominante é muito conservadora, não tem visão social e só pensa no próprio umbigo. Depois, se encastelam em condomínios de luxo, depositando dinheiro no exterior, com medo do povo e da desigualdade que sustentam, mesmo representando apenas 1% dos estabelecimentos agrícolas.
Sete de setembro é lembrado, na História do Brasil, como a data que marca a independência do país. Segundo a história oficial do país, foi nesta data, em 1822, que o Brasil quebrou sua ligação com sua antiga metrópole, Portugal. Esta data é símbolo para a nação, pois representaria a sua soberania nacional. Mas será que o grito de independência de Dom Pedro, às margens do rio Ipiranga, realmente significou tal soberania ao país?
Questionando esta ideia, anualmente organizações populares promovem o Grito dos Excluídos – uma grande mobilização feita durante a semana da pátria que denuncia a falta de um projeto popular no Brasil.
Em entrevista à Radioagência NP, o integrante da coordenação nacional do Grito dos Excluídos, Ari Alberti, conta a história da manifestação popular e fala sobre a organização desta luta.
Radioagência NP:O que é o Grito dos Excluídos?
Ari Alberti: O Grito dos Excluídos é um acontecimento que já tem 15 anos. Ele surgiu a partir da Segunda Semana Social Brasileira, que foi promovida pela CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil], pastorais e movimentos, que tratava do tema “Brasil: alternativas e protagonistas”. Acabado este processo se pensou em uma ideia do que poderíamos construir coletivamente e aí surge o Grito dos Excluídos, para ser realizado na data do sete de setembro, fazendo uma reflexão a partir da história da independência do Brasil. Ele acontece em todo o Brasil, de forma descentralizada, sem priorizar a realização de atos nos grandes centros. Podemos dizer que, passado 15 anos, que ele tem dimensão nacional, pois está em todos os estados do país durante a semana da pátria.
RNP:Quem são estes excluídos?
AA: Se olharmos pelas definições, todos nós estamos incluídos neste mundo, mas a maioria está incluída de uma forma perversa. Nós chamamos de excluído, por exemplo, a pessoa que não tem condição de acessar a saúde, educação, moradia, terra, emprego. São pessoas sem condição de competir no mercado, que é desigual, e que não tem condição de fazer ouvir sua voz, seus gritos, que estão calados, emudecidos. Nós lutamos por justiça e ao lutar por justiça, entendemos que juntos estamos construindo uma proposta de um projeto de país diferente, onde o povo possa ser incluído politicamente, economicamente e socialmente, onde as pessoas possam viver com dignidade.
RNP:Qual será o tema do 15º Grito dos Excluídos?
AA: A primeira afirmação sempre é a mesma: vida em primeiro lugar. O complemento deste ano é: “a força da transformação está na organização popular”. Acreditamos abertamente que as mudanças só poderão vir de baixo para cima. Então o nosso desafio é ajudar a informar, formar e conscientizar o povo para que possamos de fato fazer esse movimento, essa luta de baixo para cima, para que as mudanças possam acontecer.
RNP:Qualquer pessoa pode participar da construção do Grito dos Excluídos?
AA: O Grito dos Excluídos é um acontecimento que não tem um dono nem uma pauta específica de reivindicação. Cada local se organiza a partir dos gritos maiores que tem mais a ver com a realidade da população daquela região.
RNP:E se a pessoa tiver interesse, como ela pode se inserir na organização desta manifestação popular?
AA: O que as pessoas podem e devem fazer, se tiver interesse, é procurar na sua cidade, em seu estado, nas associações, como as pastorais, se por acaso está acontecendo a construção do Grito dos Excluídos. Caso tenha dificuldades, nós da secretaria nacional podemos ajudar a partir dos endereços de onde são organizados os Gritos. Todos serão bem-vindos e bem-vindas nesta atividade. Nós temos que passar da atividade de ficar apenas assistindo as coisas acontecerem. Nós temos que sair da situação de platéia para sermos atores e atrizes. Temos que protagonizar, que agir, para construir uma pátria livre e independente.
O telefone da coordenação nacional do Grito dos Excluídos é (11) 2272-0627. Informações também podem ser obtidas através do endereço na internet: www.gritodosexcluidos.org
No dia 1º de setembro, próxima terça-feira, às 19h, será realizada uma aula pública em defesa do petróleo do pré-sal. A aula será ministrada por Ildo Sauer, engenheiro, professor da USP e ex-diretor de Gás e Energia da Petrobrás, e Carlos Lessa, economista, professor aposentado da UFRJ e ex-diretor do BNDES, que irão explanar sobre os aspectos técnicos, econômicos e sociais do petróleo descoberto pela Petrobrás na chamada província do pré-sal. O evento é aberto a todos os interessados, tem entrada gratuita, e ocorrerá no Salão de Atos I da Reitoria da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110, Campus Centro). A palestra é uma realização da UFRGS, SindiPetro-RS e Assembléia Legislativa do RS, e promoção do Comitê Gaúcho em Defesa do Pré-Sal e do Comitê Gaúcho o Petróleo tem que ser nosso!
Mais informações pelos telefones 3308-7604 e 3308-7715
Assista abaixo o documentário:
"O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO - ÚLTIMA FRONTEIRA" Produtora: PrimeiroFilme Produções Direção: Peter Cordenonsi
"Brasileiros, precisamos urgentemente retomar a luta do 'O PETRÓLEO É NOSSO'. Na década de 50, o Brasil assistiu ao maior movimento cívico em defesa da nossa soberania (em defesa do nosso petróleo e gás), e naquela época não tínhamos uma gota sequer descoberta de hidrocarboneto. Hoje, o Brasil detém reservas de petróleo (pré-sal) comparáveis a da Arábia Saudita, mas a lei do antigo governo Fernando Henrique Cardoso (lei neoliberal n° 9478) permite a entrega do nosso petróleo e gás." Divulgue! Mobilize! Participe!