No final da tarde de ontem, 5/9, aconteceu em Santa Maria a Aula Pública "Vamos Falar Sobre Cotas". Essa atividade, proposta por diversos coletivos e movimentos- entre eles o Levante- foi construída em razão da necessidade de discutir o assunto, uma vez que temos a UFSM- Universidade Federal de Santa Maria- , que tem em seu sistema de ingresso as ações afirmativas, e em função do “exército anti-cotas”, que promoveu manifestações contrárias às cotas, onde se percebeu muita falta de informação e esclarecimento acerca da realidade dos cotistas, por parte dos que integraram o exército. Leia mais sobre o exército anti-cotas aqui
A aula pública reuniu cerca de 300 pessoas que pararam para ouvir negros/negras e indígenas que compuseram a mesa de debate. Entre as falas, relatos que retomaram a importância de se fazer um recorte histórico e social quando o assunto é ação afirmativa, uma vez que as condições não são as mesmas para estudantes não negros e indígenas. Principalmente para estudantes de classe média ou das grandes elites, cuja realidade é totalmente diferente dos que necessitam do amparo de políticas públicas.
Ações Afirmativas?
As ações afirmativas são um conjunto de ações privadas e/ou políticas públicas que tem como objetivo reparar os aspectos discriminatórios que impedem o acesso de pessoas pertencentes a diversos grupos sociais às mais diferentes oportunidades. Por exemplo, a participação de mulheres em sindicatos, a gratuidade dos idosos no transporte coletivo, a garantia de vagas para portadores de deficiência em empresas, etc.
Cotas, por que sim?
Mesmo com o fim da escravidão, a segregação racial continuou existindo de forma camuflada no Brasil. Essa é uma das razões que fazem com que a adoção de políticas públicas específicas para afro-brasileiros sejam necessárias.
A discriminação racial no Brasil é bastante particular e precisa ser vista com atenção. Não tivemos apartheid, mas o racismo à brasileira persiste na nossa cultura e na nossa sociedade. Bem como, a descriminação e falta de atenção para com os indígenas, os donos da terra.
As cotas têm um papel além da promoção do ingresso de uma população específica na universidade. As cotas estimulam o debate sobre a questão racial, questionam a diversidade dentro de instituições de ensino e nos fazem refletir nas consequências do nosso passado escravo. Além disso, a adoção de cotas raciais nos convida a repensar antigos preconceitos e estereótipos.
LEVANTE PELAS COTAS!
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