quarta-feira, 27 de junho de 2012
NÃO AO GOLPE NO PARAGUAI!
Movimentos e organizações sociais brasileiras se solidarizam com a resistência do povo paraguaio contra o golpe parlamentar que destituiu Fernando Lugo da presidência do Paraguai.
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sábado, 23 de junho de 2012
Toda a nossa América deve se mobilizar em defesa do povo paraguaio
Apelamos aos governos para agir em conjunto para preservar o processo legítimo popular e democrático no Paraguai.
Aliança Bolivariana das Américas (Alba)
A articulação dos movimentos sociais pela Aliança Bolivariana das Américas (Alba) expressa forte rejeição ao impeachment do presidente paraguaio Fernando Lugo, que representa um ato de desestabilização do processo histórico de transformação no país, que encerrou 60 anos de ditadura do Partido Colorado.
O massacre de Curuguaty em 18 de junho, que terminou com 11 camponeses mortos, foi planejado para dar argumento político para uma ditadura judicial e parlamentar.
Com isso, os setores conservadores agem para tentar reverter as mudanças sociais e populares na nação irmã do Paraguai, como acontece desde abril de 2008.
O Parlamento do Paraguai, que tem dificultado os processos de integração da América Latina, pretende recolocar os privilégios de setores da oligarquia, a partir da aliança entre as empresas de mídia e os partidos tradicionais de direita.
A situação no Paraguai está entrelaçada com os acontecimentos recentes de remilitarização e violação dos direitos democráticos dos povos em todo o continente. As campanhas contra a Bolívia, as operações contra a Revolução Bolivariana na Venezuela e a tentativa fracassada de derrubá-la pela força em 2002, o golpe contra Manuel Zelaya em Honduras, em 2009, e as ações contra a Revolução Cidadã no Equador, em 2010, marcam os processos estratégicos e geopolíticos do Império para deter a mudança política e social na nossa América.
A Coordenação dos Movimentos Sociais pela Alba registra a sua solidariedade com o movimento camponês paraguaio e denuncia as ações desestabilizadoras.
Apelamos aos governos e os mecanismos de integração na região para agir em conjunto para preservar o processo legítimo popular e democrático no Paraguai.
Rejeitamos os atos de repressão e criminalização contra os movimentos sociais e organizações que lutam por seus direitos e contra as políticas imperiais e neoliberais.
Mobilizar em defesa da democracia e da soberania do Paraguai e Nossa América!
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Lugo sofre impeachment, vice assume em meia hora
Do Brasil de Fato e do Opera Mundi
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, acaba de sofrer um impeachment. Seriam necessários 16 votos dos senadores para que ele se mantivesse no cargo. Ao final, foram 39 votos (de 45, sendo 4 contra e duas ausências) a favor pelo impeachment de Lugo.
Em meia hora, o vice, do Partido Liberal, Federico Franco será empossado. População pede dissolução do Parlamento paraguaio.
A Unasul, União de Nações Sul-Americanas, acaba de convocar uma reunião extraordinária. Ministros de Relações Exteriores de vários países se encontram em Assunção.
A decisão causou revolta do lado de fora do Parlamento, onde simpatizantes do presidente protestam contra a deposição e entram em confronto com a polícia. Porta-vozes de Lugo anunciaram que o presidente não apoiará nenhuma resistência armada, embora tenha classificado o julgamento político como um golpe parlamentar.
Com a derrubada de Lugo, que ainda não se pronunciou sobre a decisão, deve assumir o poder o vice-presidente Federico Franco, membro do PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), que até ontem integrava a base de apoio do governo.
A ruptura da aliança pelo Partido Liberal foi definitiva para a crise política no Paraguai, já que a oposição liderada pelo conservador Partido Colorado não tinha votos suficientes para levar o processo de impeachment adiante.
Lugo foi acusado pelos deputados e senadores de “mau desempenho de suas funções”, especialmente em relação a um confronto entre sem-terras e policiais no nordeste do país que terminou com 17 pessoas mortas, no último dia 15 de junho. O presidente é acusado pela direita de beneficiar grupos de camponeses em ações de ocupação de terra.
O tema do conflito agrário é um dos mais sensíveis no Paraguai, que tem uma brutal concentração de terras: 80% de terras férteis estão nas mãos de 2% da população, concentrando-se no agronegócio de alta produtividade, que gerou um crescimento econômico de 14,5% em 2010, mas ao custo de uma taxa de 39% da população vivendo abaixo dos níveis de pobreza e 19% em situação de pobreza extrema.
Defesa
Os advogados do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, contestaram o processo de impeachment aberto contra ele no Parlamento do país. Na sessão no Senado paraguaio, que foi convertido em tribunal, a defesa de Lugo acusou os parlamentares de terem organizado um processo com uma sentença “pré-escrita”. “O que está acontecendo aqui não é um julgamento, é uma condenação. É a execução de uma sentença”, disse o advogado Emílio Camacho.
Segundo o procurador-geral da República, Enrique García, o presidente paraguaio só recebeu as acusações de “má gestão do governo” às 18h10 locais (19h10 de Brasília) desta quinta-feira, o que em sua opinião "vicia constitucionalmente o julgamento político".
Em comunicado oficial, a Unasul (União das Nações Sul-americanas), que enviou uma missão de chanceleres ao país, classificaram o impeachment de Fernando Lugo como uma “quebra da ordem democrática” no Paraguai
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O GOLPE NO PARAGUAI
Desde sua eleição, Lugo vêm sofrendo grandes dificuldades em governar e aprovar leis, pois o parlamento paraguaio ainda concentra-se sob as mãos do partido colorado.
“Pobre Paraguai. Somos pobres e poucos”, disse um homem que viaja com Eduardo Galeno numa viagem rumo à Assunção. O país até hoje sofre a herança de uma guerra exterminou a população paraguaia. Pouco restou. “A guerra maldita” dizimou inúmeros habitantes. A indústria paraguaia que tentava se diversificar entrou em profunda decadência. O país acabou se entregando ao capital externo e as primeiras dívidas internacionais foram adquiridas. Brasil, Argentina e Uruguai financiados sob o capital inglês ceifaram a única tentativa de desenvolvimento econômico autônomo e sustentado no continente durante o século XIX.
O genocídio com a população não foi um ato de violência singular ao longo da história paraguaia. O ditador Alfredo Stroessner perdurou 35 anos no governo do país impondo um governo autoritário (54-89). A marca da ditadura paraguaia mais uma vez foi mortes, torturas, perseguições e censura.
Passado alguns anos, Fernando Lugo foi eleito o novo presidente do Paraguai em abril de 2008 colocando fim a quase seis décadas de domínio do partido colorado. O teólogo e ex-bispo católico foi recebido com entusiasmos pelas esquerdas latino-americanas e as forças progressistas do país. Sua plataforma era realizar uma ampla reforma agrária, combater a corrupção e lutar pela soberania enérgica revendo, inclusive, os tratados de Itaipu.
Desde sua eleição, Lugo vêm sofrendo grandes dificuldades em governar e aprovar leis, pois o parlamento paraguaio ainda concentra-se sob as mãos do partido colorado. No âmbito institucional, piorando ainda mais situação, o PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico), principal partido governista - que conta com 14 representantes no congresso - retirou seu apoio ao presidente. O ápice dessa crise política aconteceu na última quinta-feira (21) quando o congresso paraguaio instaurou um processo de impeachment contra o presidente. Composta por 80 representantes, a câmara dos deputados aprovou o julgamento de impeachment por 73 votos a favor e 1 contra. O motivo alegado pela oposição é o fraco desempenho do presidente e a responsabilização pela morte de camponeses e oito policiais durante um conflito agrário na região de Curuguaty (no leste do país à 250 km de Assunção). O problema da terra no Paraguai é antigo e, caso não seja resolvido com uma reforma agraria radical - que vise a distribuição de terras para as classes pobres – a violência no campo apenas se perpetuará.
A ação do partido colorado é uma tentativa de golpe mascarada por via institucional. Vale ressaltar que o mesmo parlamento de cunho conservador foi responsável por não aprovar o ingresso da Venezuela no MERCOSUL. A velha classe dominante oligárquica aliada ao latifúndio, que se articulada no interior do partido colorado, volta a dar sinais golpistas em terras Guarani.
Até o final do ano passado os paraguaios comemoravam o bicentenário de sua independência. De fato, ainda falta muito para o povo paraguaio se liberte das garras das classes dominantes. A queda de Lugo pode significar um retrocesso na correção de forças do continente, uma vez que abre espaço para que as forças direitistas voltem assumir o executivo. Mais do que isso, representa uma ruptura no ensaio latinoamericano de dar respostas significativas ao neoliberalismo e a crise capitalista. Que as vontades das urnas sejam respeitadas! Pelo bem da democracia.
Gustavo Menon - Sociólogo pela PUC-SP. Mestrando bolsista no programa de Estudos de Pós-Graduados em Ciências Sociais pela PUC-SP. Funcionário do Núcleo de Pesquisas Tecnológicas da PUC-SP (NPT-PUC/SP) e docente na Faculdade de Ciências de Guarulhos – Facig. Do Jornal Brasil de Fato
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
DIREITA TENTA DAR GOLPE NO PARAGUAI
A Câmara dos Deputados do Paraguai, controlada pela oposição de direita, aprovou na manhã desta quinta-feira (21) a abertura de processo de impeachment contra o presidente Fernando Lugo. O motivo alegado é o confronto ocorrido em Curuguaty, a 350 km de Assunção, que resultou na morte de onze camponeses e seis policiais. A proposta golpista agora será votada no Senado.
O clima no país vizinho, vítima de longos anos da ditadura militar de Alfredo Stroessner, é de forte tensão. Organizações camponesas e de esquerda agendaram para hoje protestos em Assunção contra o golpe (imagem acima). O comércio e as escolas na capital, segundo as agências de notícias, estão fechados e a polícia já ocupou o centro da capital. A direita também acionou os partidários do impeachment. Há risco de choques violentos.
As informações são do blog do Miro.
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