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LEVANTE | Levante Popular da Juventude
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Somos um grupo de jovens que não baixam a cabeça para as injustiças e desigualdades. Entendemos que só com o povo unido, metendo a mão junto, é possível construir o novo mundo com que sonhamos.

O Levante atua junto aos movimentos da Via Campesina e movimentos urbanos como o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), com a intenção de construir a organização popular em comunidades, vilas, escolas, assentamentos e acampamentos do Rio Grande do Sul.


A POESIA QUE ALIMENTA NOSSA LUTA


Cristina Nascimento

Vivemos numa mentira contada e repassada por nós mesmos
Pelos nossos pais, avós, de geração em geração, até chegar aos nossos filhos.
O que seria a verdadeira história do nosso querido Brasil.
Quem descobriu o Brasil? O branco, o negro ou o índio.
Até quando vamos aceitar os fatos históricos que nos contam
O que seria a verdade para um Brasil tão rico e tão pobre ao mesmo tempo
Deixamos que eles se apropriem de nossas almas e nossa indignação
Do que valeu a morte de tantos negros e índios se já não lutamos mais...
Sendo assim questionaremos a história contada e iremos atrás da verdadeira
Não vamos mais deixar eles se apropriarem de nossas vidas. Estudaremos!
Pensaremos com calma e a nossa maior motivação será mudar este futuro
Onde crianças passam fome, onde não se tem uma visão de uma vida melhor.
Até quando iremos aguentar viver só para comprar comida e se acomodar desta maneira
Somos nós que sofremos na pele o racismo, a exclusão, a exploração.
Então a história tem que ser contada de forma correta, pois cansamos do sistema falar por nós
Por que estamos lutando e o nosso povo irá se libertar.
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terça-feira, 11 de setembro de 2012

CHILE: 39 ANOS DO GOLPE


Hoje, 11 de setembro, enquanto muitos lembram o ano de 2001, do ataque ao “coração” ianque, outros também lembram algumas décadas antes, mais precisamente 1973: um 11 de setembro que não apenas os chilenos, mas a América Latina e o mundo nunca esquecerão. 
Golpe militar no Chile: o general Pinochet derruba o governo socialista e instala uma ditadura militar. O presidente Salvador Allende morre no decorrer da resistência. O estádio de futebol de Santiago converte-se em prisão. Vários brasileiros exilados no Chile serão presos e assassinados. 

Hoje, 39 anos depois do Golpe militar que tirou a vida não só do “Compañero presidente”, como também de milhares de trabalhadores chilenos, podemos observar que Allende estava certo ao dizer que “os processos sociais não se detêm nem pelo crime nem pela violência”, quando olhamos para experiência democrática, popular e revolucionária do Projeto Bolivariano, que em grande medida, representa a continuidade dos sonhos que alimentaram toda uma geração de lutadores latino-americanos. Neste sentido, há menos de um mês das eleições presidenciais na Venezuela, acreditamos que a melhor forma de mantermos vivos os ideias pelos quais tantos chilenos morreram é a reeleição do presidente Hugo Chavéz NO DIA 07 DE OUTUBRO! 

O Golpe de 11 de Setembro

Nas primeiras horas da madrugada do dia 11 de setembro a marinha se sublevou em Valparaíso, depois de participar de uma manobra conjunta com a marinha norte-americana. As primeiras notícias eram confusas. Pouco a pouco foi ficando claro que se tratava de um golpe militar dirigido pela cúpula das Forças Armadas. A frente de todas as operações golpistas estava o novo comandante-em-chefe do Exército, um dos homens de confiança de Prats e do próprio presidente. Ele se chamava Augusto Pinochet. 
Ao receber as notícias das operações militares, Allende se dirigiu ao Palácio de La Moneda. Com este pequeno grupo de homens e mulheres o presidente enfrentou por horas os ataques de tropas de infantaria, blindados e os temidos bombardeiros Hawker Hunter. Às 9 horas da manhã ainda pensou em distribuir armas para os trabalhadores. Convocou o comandante-em-chefe dos Carabineiros, general Sepulveda, e perguntou-lhe:

─ General, só resta distribuir armas ao povo. O senhor pode fazê-lo? 
─ Distribuir armas, eu? Como quer que eu distribua armas?
Naquele momento as últimas tropas leais dos carabineiros se retiravam. O comando já não estava mais nas mãos do estupefato general.
Depois de mais de dois anos de governo não havia sido construída nenhuma estratégia para responder a um possível golpe militar, apesar das inúmeras ameaças e do crescimento da violência fascista.Confiou-se integralmente nos dispositivos militares legalistas de Allende. Quando este falhou, o governo e o povo ficaram sem uma alternativa viável. Os poucos agrupamentos armados de estudantes e de operários foram prontamente massacrados numa luta desigual. Milhares morreram esperando os regimentos leais ao governo. Uma página heróica e trágica da história dos trabalhadores latino-americanos.
Uma proposta de constituição de uma comissão militar integrada por oficiais leais e dirigentes ligados a Unidade Popular foi rejeitada. Apenas no final de agosto de 1973 começou a ser aventada a possibilidade de aplicação da lei de Defesa Civil que permitiria articular os carabineiros, ainda leais ao governo, e as organizações populares e sindicais. Esta era uma lei de 1945 e visava defender o país quando ele estivesse em perigo iminente. O plano não conseguiu sair do papel diante da oposição.
Na verdade, como afirmou Altamirano, "faltou à Unidade Popular a capacidade de prever a alterar as formas de luta quando isto se tornou necessário". Agarrou-se às instituições do Estado burguês quando a burguesia já as havia abandonado e caminhava abertamente no sentido da insurreição armada. Continuou: "Mas não era viável nem possível a manutenção de uma linha política institucional até iniciar a 'construção do socialismo', sem provocar rupturas. Por exclusiva vontade das classes dominantes, a confrontação devia produzir-se nalgum momento desse itinerário. E, por isto, o processo devia obrigatoriamente, contar com uma estrutura defensiva militar." Recuar, fazendo novas concessões à Democracia Cristã, ou avançar, rompendo a legalidade burguesa. Uma decisão nem sempre fácil de ser tomada.
Este, talvez, tenha sido o grande dilema e uma das limitações da experiência da "via chilena para o socialismo". Mas, os possíveis erros não devem encobrir o heroísmo da esquerda chilena e de seu valente presidente. As últimas palavras de Allende ainda repercutem na alma do seu povo: "Diante desses fatos, só me cabe dizer aos trabalhadores: não vou renunciar (...) pagarei com minha vida a lealdade do povo (...). Outros chilenos superarão esse momento amargo em que a traição pretende se impor; continuem sabendo que muito mais cedo que tarde novamente se abrirão as grandes avenidas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor. Viva o Chile! Viva o povo! Vivam os trabalhadores!". Em poucos minutos cairia morto o companheiro presidente e o povo nas barricadas e nas ruas responderia: 
"Allende, presente! Agora e sempre!"

Adaptado do artigo de Augusto Buonicore, publicado na Revista Acadêmica Espaço da Sophia, edição 31 – outubro de 2009.

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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

VICTOR JARA - "EU NÃO CANTO POR CANTAR..."


Manifesto - Canção de Victor Jara
Yo no canto por cantar/Ni por tener buena voz/Canto porque la guitarra/Tiene sentido y razon,/Tiene corazon de tierra/Y alas de palomita,/Es como el agua bendita/Santigua glorias y penas,/Aqui se encajo mi canto/Como dijera Violeta/Guitarra trabajadora/Con olor a primavera.
Que no es guitarra de ricos/Ni cosa que se parezca/Mi canto es de los andamios/Para alcanzar las estrellas,/Que el canto tiene sentido/Cuando palpita en las venas/Del que morira cantando/Las verdades verdaderas,/No las lisonjas fugaces/Ni las famas extranjeras/Sino el canto de una alondra/Hasta el fondo de la tierra.
Ahi donde llega todo/Y donde todo comienza/Canto que ha sido valiente/Siempre sera cancion nueva.

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domingo, 4 de setembro de 2011

NAS RUAS E NAS TELAS: A REDESCOBERTA DE VIOLETA PARRA

A obra de Violeta Parra resurge nas recentes mobilizações estudantis do Chile e chegam aos cinemas com um filme sobre sua vida. 
Ao mesmo tempo em que a música "Me Gustan Los Estudiantes" torna-se o hino das mobilizações estudantis, o filme "Violeta Se Fue a Los Cielos", chega aos cinemas do Chile. O filme dirigido por Andrés Wood (mesmo diretor do filme Machuca), retrata a vida de uma das princpais artistas chilenas. Cantora e artista plástica, Violeta sintetizava em suas obras a cultura e o folclore do seu país. Além disso, nunca deixou de expresar suas opções políticas comunistas em suas letras e telas.


Assista ao trailer do filme Violeta Se Fue a Los Cielos


Ouça a música Me gustan los estudiantes 

Informações Opera Mundi

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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

ELA NÃO É SÓ "UM ROSTINHO BONITO"

Leia entrevista com Camila Vallejos, liderança estudantil de 23 anos que emergiu na onda de grandes mobilizações da juventude chilena.
Como foi sua aproximação com a política? Como passou a militar no movimento estudantil?

Desde muito jovem, minha família me formou com valores políticos de esquerda, como democracia e justiça social. Com esta sensibilidade à esquerda é difícil manter-se fora da política e dos espaços que permitem fazer a mudança, especialmente em uma sociedade tão desigual e injusta como a do Chile. Foi assim que me interessei em fazer parte da política, desde muito jovem. Tal vontade se acentuou com a entrada na faculdade, de onde, finalmente, veio a adesão à juventude comunista. A partir deste momento, comecei a ser uma parte ativa de um movimento que tem sido gestado com trabalho, empenho e companheirismo.

A principal bandeira de luta é a educação de qualidade e gratuita para os jovens, certo? Como você enxerga o cenário ideal, levando em consideração a realidade de hoje no Chile?

É claro que a educação gratuita é uma ideia política que queremos instalar, mas sabemos que não será uma realidade em curto prazo. Antes de tal transformação, é necessário promover uma reforma tributária que impeça que a diferença socioeconômica entre ricos e pobres, hoje no Chile, se aguce. No entanto, lutamos contra um modelo essencialmente neoliberal, que vê a educação como um bem de mercado – como diz o próprio presidente do Chile – e não como um direito, visão intransigentemente defendida pela direita que chegou ao governo através de [Sebastian] Piñera. Esperamos mudar as raízes de um modelo educacional que nos mantém no subdesenvolvimento.


Assista vídeo com declarações de Camila Vallejos
Neste momento, como estão as negociações com o governo, e quais são as principais conquistas do movimento?

Este governo tem se mostrado intransigente na hora de negociar sobre o modelo educacional que instalaram desde a ditadura militar. Não é só isso, tem se demonstrado disposto a levantar a face mais repressiva, não ouvindo as demandas legitimas e respaldadas por um movimento que as próprias pesquisas mostram ter uma aprovação superior a 80%. Até agora uma das grandes conquistas do movimento tem sido consolidar uma aprovação transversal e unificada na sociedade. Agora, depois de muitas pressões da nossa parte, estamos próximos de sentar à mesa e enfrentar cara a cara um diálogo com o presidente. Esperamos que neste espaço possamos avançar em questões concretas sobre nossas reivindicações. E que não voltem a faltar com respeito ao movimento, com uma soma de dinheiro cheia de ambigüidades, que não nos garante nenhum dos princípios que já defendemos nas ruas há três meses.

Após os primeiros protestos, a mídia manifestou com mais freqüência ou com maior ênfase, a questão da sua beleza física, em detrimento de suas qualidades e habilidades intelectuais. Isso te incomoda?

Esses tipos de ataques vieram principalmente dos setores de direita, que têm o domínio da grande maioria dos meios de comunicação e, em minha opinião, representam uma estratégia bastante covarde, baixa e, sobretudo, fracassada, para desacreditar um movimento que hoje está mais forte do que nunca. Me parece que ainda há meios essencialmente machistas e misóginos que tentam fazer disto um tema. O movimento, a sociedade e o Chile têm sido capaz de avançar, valorizando muito mais clareza de conteúdo e a transversalidade do apoio, do que aquilo que eles chamam de "um rostinho bonito". Como eu disse por meio de outros meios, parece-me um despropósito argumentar que, com os níveis de organização, solidez e transversalidade do debate sobre educação e democratização no Chile, a aparência física ainda seja assunto.

Entrevista realizada por Rafael Minoro e Patricia Blumberg para o site da UNE

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Filtro: Camila Vallejos, CHILE, ENTREVISTAS, LUTAS, MOVIMENTO ESTUDANTIL, NOTÍCIAS, VÍDEOS

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

EXISTEM RAZÕES PARA ACREDITAR

Assista a parodia do comercial da Coca-Cola produzida pelos estudantes chilenos em luta por mais verbas na educação superior. 


Este vídeo, além de ser muito bem produzido é um exemplo de agitação e propaganda. Infelizmente as legendas são em espanhol (e passam muito rápido). De qualquer modo vale a pena assistir, pois a lógica é simples:
Enquanto alguns crescem suas fortunas ... uma família normal se endivida para enviar seu filho a universidade;
Enquanto o salário mínimo é de $172.000 ... o custo médio dos cursos é $ 220.000;
Por cada declaração que dá o ministro ... amanhecem 10 novas escolas ocupadas;
Para cada pessoa que diz "não é o caminho"... 100 mil estudantes repetem"Sim, é possível".

Há razões para acreditar em uma educação gratuita e de qualidade!

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Filtro: AGITAÇÃO E PROPAGANDA, CHILE, COCA-COLA, EDUCAÇÃO, MOVIMENTO ESTUDANTIL

terça-feira, 9 de agosto de 2011

100 MIL PESSOAS NAS RUAS DE SANTIAGO NO CHILE

Nesta terça-feira (09), cerca de 100 mil pessoas saíram às ruas de Santiago, capital chilena, dando continuidade a onda de protestos por melhorias no sistema educacional do país. No protesto participaram não apenas estudantes, mas também profesores e trabalhadores da educação em geral.
As principais reivindicações do movimento são educação gratuita e de qualidade em todos os níveis, controle por parte do Estado da educação secundária, aumento do financiamento público para as universidades (já que hoje menos de 10% dos investimentos nas universidades provêm de recursos públicos), entre outras.
Segundo a estudante de psicologia da Universidade do Chile, Valentina Olivares, têm havido muita repressão policial às manifestações, além de perseguição aos estudantes que as organizam. Além da polícia, a imprensa local também tem seu papel contra o movimento, ocultando os acontecimentos nas diferentes regiões do país em que a população também segue mobilizada.
Está sendo convocada uma paralisação produtiva para o dia 17 de agosto em apoio à mobilização estudantil, além de uma paralisação nacional convocada pela Central Única dos Trabalhadores  (CUT) para os dias 24 e 25 do mesmo mês.
Esses mais de dois meses de protestos demonstram que o modelo educacional privado implementado pelas políticas neoliberias durante a ditadura militar chilena está com os dias contados. Apesar da repressão, a estudante diz que as mobilizações e protestos não diminuirão até que as necessidades sejam atendidas.

Fuerza en la lucha compañeros!

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Filtro: CAMPANHA S.O.S EDUCAÇÃO, CHILE, MOVIMENTO ESTUDANTIL, SALVADOR ALLENDE

terça-feira, 26 de julho de 2011

CORRENDO 1800 HORAS PELA EDUCAÇÃO

Estudantes chilenos denunciam a privatização da Educação em seu país fazendo uma nova forma de agitação: correndo em torno do palácio do governo.
Depois de uma intensa onda de manifestações de rua, os estudantes chilenos lançaram o projeto 1800 horas pela educação. A idéia é extremamente simples. Durante 1800 horas (75 dias) haverá pelo menos uma pessoa correndo no entorno do palácio presidencial "La Moneda" (o mesmo que foi bombardeado durante o golpe sobre Allende). O marco 1800 é uma referência ao investimento necessário em milhões de dólares, para garantir uma educação pública no Chile. Assista o vídeo abaixo:

É importante lembrar que durante o período da ditadura (pós-golpe), o Chile foi uma espécie de laboratório das políticas neoliberais na América Latina. Dentre as medidas tomadas estava a privatização da educação superior, que hoje é de 90% no Chile, um dos maiores índices do mundo. Ou seja, somente 10% dos estudantes universitários frequentam universidade públicas atualmente. O resto é obrigado a assumir um endividamento eterno para pagar seus estudos. Este é o motivo dos protestos e da maratona de 1800 horas. Entre no site e veja mais detalhes da organização deste movimento.

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Filtro: CHILE, EDUCAÇÃO, MOVIMENTO ESTUDANTIL

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O POVO MAPUCHE RESISTE!

Assista o vídeo produzido em homenagem ao povo chileno Mapuche que luta por terra e liberdade

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Filtro: CHILE, MAPUCHES, PRESOS POLÍTICOS

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Chile vive um grande drama em datas históricas

Lembranças se entrelaçam a situação de presos políticos mapuches

No momento em que o Chile comemora os 40 anos da vitória de Salvador Allende nas eleições presidenciais de 1970, que abriu a “via chilena para o socialismo”; no mês em que os chilenos recordam com pesar os 37 anos do golpe militar, quando Augusto Pinochet tomou frente do Estado sanguinário de uma das mais cruéis ditaduras sofridas na América Latina; e, além disso, no período em que todo o País comemora o bicentenário da sua independência política, uma grande luta é travada na história chilena atual.
As três datas que carregam a memória do país andino são lembradas com esperança em meio a situação dos 34 presos políticos mapuches que estão em greve de fome desde 12 de julho. O povo mapuche, que representa 90% da população originária do Chile, tem se mobilizado para barrar a militarização de comunidades locais e pela liberdade dos presos políticos indígenas.

São muitas as heranças da ditadura chilena. Ela persiste nas mortes promovidas pelos conglomerados econômicos que querem proteger suas riquezas e reflete nos mais de 60 dias em que os presos políticos negam alimento. Ela corre da luta constante desse povo pelo fim da Lei Antiterrorista, o dispositivo que era usado pelos militares, mas que desde 2001 passou a ser aplicado na população mapuche para conter suas reivindicações. Terrorismo - disse um representante mapuche - é a invasão das casas com forças especiais, com bombas lacrimogêneas e submetralhadoras apontadas para crianças, idosos e trabalhadores.

Os inimigos do povo mapuche são desde muito tempo os grupos econômicos. As grandes corporações, que se amparam na legislação do Estado para reprimir as comunidades originárias, são parte do império que formava a ditadura Pinochet. Milhares de hectares reivindicados pelos mapuches estão ocupados por plantações de eucalipto, hidrelétricas, mineradoras, complexos turísticos e transnacionais. Essa cara da burguesia foi reinventada pelo modelo neoliberal de 20 anos pra cá e incentiva um dos maiores abismos socioeconômicos encontrados no mundo e vividos entre pobres e ricos chilenos.

A verdade é que há mais de 100 anos o povo mapuche luta pela devolução de seu território ancestral. Esses guerreiros são a população latina que mais resistiu a ocupação espanhola. Por mais de três séculos eles garantiram sua independência política e territorial, até que no século 19, o Estado chileno ocupou militarmente a zona mapuche e matou milhares de indígenas, mulheres e crianças.

A 37 anos do bombardeio militar do palácio de La Moneda, a memória de Salvador Allende ilumina o caminho do povo originário mapuche e de toda a população chilena que vive sufocada em miséria e opressão. Precisamente, aquela noite inesquecível de 4 de setembro de 1970, quando o companheiro Allende discursou na Alameda de Santiago, diante do povo que festejava sua vitória, com palavras de afeto sincero como sempre se dirigiu aos trabalhadores:

“Esta noite, quando acariciarem seus filhos, quando buscarem o descanso, pensem na manhã dura que teremos pela frente, quando precisaremos colocar mais paixão, mais carinho, para fazer o Chile cada vez maior e tornar cada vez mais justa a vida em nossa pátria”.

Salvador Allende, ex-presidente do Chile, morto no golpe militar de 1973

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

11 DE SETEMBRO

O 11 de setembro marcou a vida de milhares de pessoas. Transformou completamente a vida de um país. Implantou a política do medo e fez dos seus cidadãos escravos de si mesmos. O 11 de setembro em questão não foi aquele televisionado para o mundo todo. Não teve repercussões de caráter universal e comoção geral. Na verdade, possuiu uma história recorrente neste continente: os interesses do primeiro mundo influenciando diretamente a política da América Latina. O 11 de setembro em questão é o de 1973, o dia em que o presidente chileno, eleito democraticamente, Salvador Allende, foi destituído do poder pelo golpe militar.

Depois de ter perdido a eleição em 1964, Salvador Allende se tornou, em 1970, o primeiro presidente socialista marxista da América Latina. Mesmo distanciado da política da guerra fria e das influências direta dos grandes países comunistas como URSS e China, o Chile virara um temor para o outro lado frio da guerra. Os Estados Unidos através da CIA deixou claro que o objetivo a ser conquistado seria a destituição do presidente eleito Salvador Allende.

Allende foi responsável por nacionalizar os bancos e estatizar as minas de cobre - principal produto de exportação chileno. Amado pelo povo, Salvador Allende, médico, intelectual, amante das artes, e verdadeiro concretizador das teorias socialistas, acreditava na política como ferramenta do povo para o seu próprio bem estar. Obviamente, os americanos não viam com bons olhos mais um país comunista no Continente. As manobras políticas foram cruciais para que houvesse o golpe militar. Orquestrado pelo secretário Henry Kissinger, o objetivo seria minar por completo a capacidade econômica do Chile, bloqueando as importações de produtos essenciais para a indústria, como parafusos e combustível. Greves e manifestações “populares” foram manipuladas. Assim, no dia 11 de setembro de 1973, o Chile foi tomado pelas forças armadas, lideradas pelo General Augusto Pinochet.

Todo esse episódio triste e marcante na vida dos chilenos pode ser visto no documentário “A Batalha do Chile”. Composto por três filmes, essa trilogia é considerado por muitos críticos como um dos melhores filmes produzidos na América Latina. Esse que vos fala, no mínimo, o considera como o mais importante documentário político da história da sétima arte. O diretor Patrício Guzmán registrou todos os momentos: da eleição de Salvador Allende até a sua derrubada. Dividido em três partes, o filme consegue transmitir com clareza tudo aquilo que estava acontecendo.

A 1ª parte, “A Insurreição da Burguesia”, registra os momentos da primeira eleição perdida de Salvador Allende até a sua eleição em 1970. Dedica grande parte do tempo demonstrando a insatisfação da população com a política do Chile, a dominação estrangeira na economia, os casos de corrupção, e a ausência de um grande líder. Patrício que em nenhum momento tenta transparecer imparcialidade deixa claro todos os motivos e objetivos daquela que seria uma grande conquista. Na 2ª parte, “O Golpe Militar”, Patrício faz jus de ter sua obra considerada como o melhor filme da América Latina. É aqui que o seu lado investigativo e corajoso vem à tona. Ele esmiúça com detalhes todos os momentos que antecederam a derrubada do presidente Salvador Allende. Na 3ª parte, “O Poder Popular”, Patrício faz uma análise completa dos motivos políticos e manobras da oposição que levaram ao golpe.

Há exatos 30 anos do lançamento da 3ª parte, “A Batalha do Chile” é uma aula de como se produzir um documentário. Principalmente diante dessa nova leva de documentaristas que se esquivam dos elementos essenciais do documentário. A verdade captada pela câmera é a ferramenta mais importante na transmissão de uma idéia e não apenas um detalhe. Hoje, as encenações de relatos testemunhados pelos documentaristas não são apenas alegorias, e sim todo mecanismo escolhido para se contar uma história.

“A Batalha do Chile” conta uma verdade, registra e demonstra porque um filme pode ser tão importante.


Extraído do sítio A Prancheta.

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